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"História do Dia" Vale a pena ler de novo: Fabrício e Sofia, 454 dias de pai 21 de fevereiro de 2018

Vale a pena ler de novo: Fabrício e Sofia, 454 dias de pai

 

História publicada pela primeira vez em 13 de agosto de 2017, Dia dos Pais.

 

Sofia manda alguns beijos com a mãozinha, distribui outros nas bochechas, imita o barulho do carro. Se adiantando, mostra com os dedinhos que daqui nove meses completa dois anos.

O sorriso sai mais gostoso é nas alturas, no entanto. Quando o pai pega a pequena nos braços e a transforma em avião, fazendo o quarto colorido virar céu.

Ela retribui. Dá beijo e vai ensaiando as primeiras palavras: “Pa, pa, pa”, e o paizão transborda de amor.

Hoje o calendário avisa que é dia dele. Mas o cotidiano é bem mais completo. Fabrício de Freitas vive nesse domingo o 454º dia de pai.

Desde que Sofia chegou ao mundo, em 16 de maio de 2016, passa os dias ao lado da filha, sendo mais pai do que diz o dicionário, limitado às relações genéticas e genealógicas.

– O que é ser pai? Ah, é muita coisa! Eu fiquei meia hora formulando essa reposta outro dia… É fazer a diferença na vida do filho. Fazer com que a Sofia tenha oportunidade e autonomia para ser o que ela quiser.

Sofia já escolhe as frutas preferidas, demonstra se gostou ou não do vestido, fica brava se a brincadeira acaba. Mostra que o pai está no caminho certo.

Fabrício de Freitas: pai da Sofia

A história de Fabrício e Sofia ganhou noticiário nacional, mobilizou gente de todo Brasil e fez o Banco de Leite Humano de Ribeirão Preto ter recorde de doações.

Em meio ao nascimento da filha, Fabrício viveu a perda da esposa. E, mais que prosseguir, garantiu que a bebê tivesse o melhor.

Sofia foi esperada, planejada, querida. Foram 16 anos juntos, entre namoro e casamento. Em 2014, Fabrício e Flávia começaram as tentativas para engravidar e o positivo veio na segunda inseminação artificial.

A gravidez teve turbulências. A mamãe precisou ficar em repouso, cuidando para que a bebê chegasse ao mundo com saúde.

Os pais foram avisados da possibilidade de síndrome de Down um mês antes do parto, quando o exame diagnosticou uma obstrução no intestino.

No nascimento, o diagnóstico foi confirmado e Sofia precisou ficar internada alguns dias para a cirurgia no duodeno.

A confirmação não alterou a alegria. Pai e mãe estavam preparados para receber a filha tão esperada.

– Em quinze dias, a Sofia nasceu e eu perdi a Flávia.

A mamãe estava visitando Sofia no hospital quando teve um infarto. Passou uma semana internada, mas não aguentou.

– Foi alegria, tristeza e medo. Os três sentimentos em um espaço muito curto de tempo. Ganhei a Sofia e perdi a pessoa que eu amava.

Fabrício de Freitas: pai da Sofia

Fabrício diz que, nos primeiros meses, se assustava com o questionamento das pessoas: “Mas a Sofia ficou com você?”, era pergunta que se repetia.

– Não passou pela minha cabeça que não fosse assim. Saber que muitos pais têm outra atitude me assustou. Não tinha noção de que essas coisas aconteciam.

Sofia teve alta uma semana depois da morte da mãe.

 – Quando me vi sozinho com ela, a primeira preocupação foi saber como ela iria se alimentar.

Fabrício procurou o Banco de Leite Humano de Ribeirão Preto e soube que para a demanda da Sofia seria necessária uma campanha por doações.

Fez uma postagem no Facebook e atingiu mais de 1,8 mil compartilhamentos.

Só nos três primeiros dias de campanha, mais de 50 mulheres buscaram o banco para doar. O estoque serviu não só para Sofia, mas para outros bebês internados no Hospital das Clínicas de Ribeirão.

– A alimentação deu certo. Aí, vieram as outras preocupações.

Fabrício não sabe dizer por quanto tempo. Perdeu as contas dos meses que passou cuidando da filha dia e noite.

Se afastou do trabalho para estar com Sofia. Decidiu morar com seus pais, para que o time de cuidados tivesse reforço nos avós. E aprendeu a dar banho, trocar fralda, alimentar sua pequena.

– Eu fazia o que precisava! O que um pai faz.

A síndrome de Down exige dose tripla de cuidados.

– A minha segunda preocupação foi dar a ela oportunidades de se desenvolver.

Diz que no começo fazia questão de levar Sofia a todas as terapias que compõem a rotina.

Foram necessários alguns meses para que começasse a dividir as funções, fosse voltando ao trabalho e, por algumas horinhas ao dia, ficasse longe de Sofia.

A pequena foi crescendo cheia de saúde e amor.

Fabrício de Freitas: pai da Sofia

Fabrício aprendeu a ver a vida no compasso da filha.

– A única coisa que eu quero é que ela seja feliz. Que tenha autonomia para tomar as decisões sobre a vida dela.

Hoje, ele voltou a tocar sua empresa, mas o horário flexível sempre deixa um tempinho para fazer Sofia de avião rodopiando pela casa.

Criou página no Facebook e Instragam para compartilhar o dia-a-dia da pequena com as tantas pessoas que se mobilizaram pela vida da Sofia recém-nascida.

E para ser inspiração.

– Compartilhar a nossa história é a forma que eu encontro para ajudar as pessoas. Muitos pais têm filhos com síndrome de Down e não sabem o que fazer, como oferecer a essa criança tudo o que ela precisa.

Nas fotos e vídeos, Sofia esbanja simpatia na aula de natação, desenhando com a avó, coçando os dentinhos que estão nascendo: sendo feliz!

A rotina é pura atividade: fisioterapia, fonoaudióloga, terapia ocupacional, natação, música. Sofia está sempre a encantar.

– Ela dá respostas antes do que a gente imagina!

Fabrício encontrou na filha alegria para continuar.

– A falta da Flávia, sim, foi problema. A Sofia nunca foi problema. Ela me ajudou a passar a dificuldade e retomar a vida.

Hoje, como tem sido nos outros 453 dias, não vai faltar céu para Sofia em avião e nem bochecha para os beijos que se repetem.

– Ela é meu passado, porque é fruto do meu amor com a Flávia, é a base do meu presente e é meu futuro. Sempre seremos eu e ela.

É mais um dia de pai para Fabrício. Mais um dia de amor para Sofia.

 

Fabrício de Freitas: pai da Sofia

 

Fonte: www.historiadodia.com.br

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